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Tão Bonito.... o abraço do laço :)

Sexta-feira, 19.11.21

Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.

É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.

Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.

Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

 

Mário Quintana

 

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publicado por Maria Oliveira às 12:09

A escada da Vida

Quinta-feira, 04.11.21

Encontrou se a Caridade

Com o Orgulho, certo dia!

Subia o Orgulho uma escada,

E a Caridade, descia.

Ela humilde, ele arrogante

No patamar dessa escada,

Os dois, cruzando-se , viram

Uma rosinha pisada.

Emproado,o Orgulho, vendo-a,

Deu -lhe uma nova pisadela;

De joelhos , A Caridade

Deitou - se aos beijos a ela. 

Mas nobres passos se ouviram

De som divino e tremendo;

O Orgulho seguiu, subindo, 

E a Caridade , descendo...

E a voz de Deus ,entretanto,

Disse, bramando e sorrindo: 

_Tu, que sobes ,vais descendo!

"Tu ,que desces, vais subindo!"

 

De Eugenio de Castro In "Cravos de papel"- 1922. 

 

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publicado por Maria Oliveira às 23:35

Milagres que não vemos....

Terça-feira, 02.11.21

A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu voo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
— Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.

Manoel Bandeira.

Publicação original: in Estrela da Tarde (1963)

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publicado por Maria Oliveira às 13:47