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A Vida é sonho- ( Calderon de la Barca ) - Ariano Suassuna

Terça-feira, 24.11.20

Descobri este poema de um grande poeta da corte espanhola , que viveu no sécXVI, quando assisti a uma palestra do grande Ariano Suassuna, no youtube: Calderon de la Barca; 

Ariano Suassuna (1927- 2014) foi um escritor brasileiro, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado: O Auto da Compadecida é a sua obra prima; No youtube tem diversas palestras que foi dando pelo seu amado Brasil, que encantam qualquer um;  Foi um grande defensor da lingua portuguesa, simples, humilde e com um humor extraordinário; e neste video recita este poema lindissimo: https://youtu.be/3xrRNJgU32s , que partilho  :

Sobre o poema: La vida es sueño, no original) é uma peça teatral que narra as aventuras de Segismundo, filho renegado de Basílio, rei da Polônia que ao nascer é trancado em uma torre. Seu único contato com o mundo externo é Clotaldo, seu guardião e fiel servo de seu pai.

A vida é sonho

Sonha o rico sua riqueza
que cuidados lhe oferece;
sonha o pobre que padece
na miséria e pobreza;
sonha o que busca a beleza,
sonha o que luta e fraqueza,
sonha o que agrava e ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
coisa que ninguém entende.
Eu sonho que estou aqui
de correntes carregado
e sonhei que em outro estado
como príncipe vivi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
e o bem mais belo é medonho,
pois toda a vida é sonho
e os sonhos, sonhos são.

Calderón de la Barca(1600-1681)Frases de Calderón de la Barca. Um poeta da corte espanhola.                        

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publicado por Maria Oliveira às 12:39

Na poda da vida ....

Domingo, 22.11.20

No tempo da poda , é como se se a árvore derramasse lágrimas; 

o podador insensivel corta os ramos sem compaixão,

despoja a árvore dos seus ramos e desbasta-lhe a ramagem sem piedade; 

por cada uma das feridas, a árvore destila o sangue do seu lamento, 

do seu protesto; 

No entanto, a poda serviu para que essa alma se contraisse

se fechasse em si durante os longos dias de inverno

e assim não fosse atiingida, na interioridade de sua seiva,

pelo frio que mata;

Mas depressa veio a Primavera e os brotos anunciaram que a árvore 

não só nao estava morta, mas recuperou nova vida , nova fecunidade em flores e frutos....

Na tua vida, o sofrimento faz o papel do podador...

Alfonso Milagro 

AS PODAS DA VIDA Em plena manhã... hupomone vilanova

 

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publicado por Maria Oliveira às 08:17

Qual a finalidade da Vida ? (Breve Reflexão de José Pereira Coutinho)´

Quinta-feira, 05.12.19

Partilho este texto , (que já tens uns aninhos) , que sempre me vem à memória quando penso no futuro que estamos a criar para as próximas gerações e também quando penso qual a finalidade da minha caminhada no mundo.... ; 

O Fim último da Vida não é a Excelência mas sim a Felicidade

      "Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo à volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e apesar da benesse, não levam vidas descansadas.   Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três anos, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.

     Eis a ideologia criminosa que se instalou nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais uns atrás dos outros em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho ou a esposa de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

    Não admira que até 2020 um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos mais queremos. Quanto mais queremos mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência mas sim a Felicidade."

By José Pereira Coutinho, Nov 2008

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publicado por Maria Oliveira às 18:37